Uma lista é uma lista é uma lista é uma lista!
Esta lista foi elaborada por mais de 5000 pessoas numa iniciativa dos NPR Books.
Não é certamente a minha mas, como tantas outras, tem a vantagem de nos levar a descobrir alguns livros que parecem ser apreciados por tantos leitores.
Alguns parecem ser a tendência actual da moda editorial, outros os demasiado óbvios clássicos e muitas ausências parecem mostrar um desconhecimento profundo da história da Ficção Ciêntifica.
O aspecto positivo é mostrar que a Ficção Ciêntifica, nos seus diversos estilos, está longe de ter dado completamente lugar á Fantasia. Por cá a conversa será outra.
Aqui ficam os 10 primeiros sendo que a lista completa pode ser consultada aqui:
1. The Lord Of The Rings Trilogy, by J.R.R. Tolkien
2. The Hitchhiker's Guide To The Galaxy, by Douglas Adams
3. Ender's Game, by Orson Scott Card
4. The Dune Chronicles, by Frank Herbert
5. A Song Of Ice And Fire Series, by George R. R. Martin
6. 1984, by George Orwell
7. Fahrenheit 451, by Ray Bradbury
8. The Foundation Trilogy, by Isaac Asimov
9. Brave New World, by Aldous Huxley
10. American Gods, by Neil Gaiman
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Os melhores 100 livros de FC - mais uma lista
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Preparar a mala para férias
Vizualização de ligações literárias
Esta uma ferramenta interactiva desenvolvida por WorldCat e que através da sua base de dados permite pesquisas e analisar dependências entre autores, personagens, lugares, etc.
Basta escolher um autor, personagem ou lugar e surgirá a rede de ligações. A pesquisa pode ser efectuada nas já indicadas 100 maiores pesquisas mas qualquer outra pode ser feita. A não perder para quem gosta de literatura.
Worldcat Identities Network visto em How-to Geek
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
"o apocalipse dos trabalhadores", walter hugo mãe
Confesso que não sou tão radical como alguns que entendem que obras de autores novos só devem ser lidas passados 20 anos para deixar assentar a poeira. Também é certo que opto com mais facilidade por um autor que desconheço completamente do que por aqueles que já vejo louvados pelos media. Mas como ninguém é perfeito acabo, ás vezes, de me deixar levar pela corrente.
Foi assim com walter hugo mãe. Olhei para uns quantos livros no escaparate da livraria e optei pelo “o apocalipse dos trabalhadores”.
É Bragança, num Portugal profundo. Duas mulheres quarentonas, para lá “do meio caminho das nossas vidas”, maria da graça – mulher-a-dias – e a sua amiga quitéria lutam pela sobrevivência diária e com ela vão descobrindo o seus sentimentos mais profundos.
maria da graça sofre um casamento rotineiro e sem destino já que não tem filhos e eles são para muitos casamentos a salvação e a porta de saída da infelicidade. Trabalha na limpeza da casa de um septuagenário abastado que vai abusando sexualmente dela ao mesmo tempo que tempo que lhe vai mostrando os Rilkes e os Mozarts. Quitéria, que ganha alguns euros fazendo de carpideira em funerais, quebra a sua infelicidade com encontros sexuais com ucranianos emigrados na cidade. Conhece Andryi, efebo ucraniano, a quem se liga inicialmente por simples desejo físico mas que evolui para uma relação amorosa intensa na qual descobre que na emigração também existem profundas tragédias pessoais.
O título do romance é bem explícito: “o apocalipse dos trabalhadores”. Não vamos encontrar os problemas existenciais da, agora tão falada, classe média mas sim daqueles que vivem diariamente no fio da navalha, num dia-a-dia de relações precárias, na consciência de que tudo pode acabar de um momento para o outro, num relâmpago.
Estamos a falar de trabalhadores emigrantes ou de trabalhadores portugueses? A diferença será apenas na língua que falam, já que cada um arrasta consigo as suas mundos pessoais e fantasmas do passado.
Violenta é a vida, violenta é a resistência. Não são falsos moralismos que surgem no acto de carpir num funeral a troco de dinheiro ou de pensar acabar com um negrume matrimonial matando o marido apoiando-se nos conhecimentos práticos do mundo dos Cifs e dos Neoblancs.
Nesse escorregar diário para o apocalipse cada um procura a redenção á sua maneira. Ferreira, abusador diário de Maria da graça, num suicídio, deixando-lhe os seus bens. A abusada compreende que tinha encontrado uma forma de amor e procura reencontrá-lo na morte. Quitéria acha que o seu destino é levar Andryi de regresso á Ucrânia para procurar a família que tinha cortado contactos com ele com medo de antigos fantasmas.
E no meio destes personagens trágicos passeia o cão Portugal, rafeiro, pequeno e dócil, “rectângulo castanho pungente…e imprestável. Geograficamente centrado o romance faz, todavia, desfilar personagens universais.
Foi uma agradável surpresa a descoberta deste autor e deste “o apocalipse dos trabalhadores”. Tenho algumas reticências á forma como um certo número dos nossos escritores procuram instalar através da forma o seu estilo romanesco pessoal. Vejam-se os casos de Lobo Antunes ou de Saramago, entre outros. walter Hugo mãe também o faz, através da abolição de maiúsculas e da pontuação minimalista. Acho que estilo pessoal deve ser feito essencialmente á custa da escolha dos temas e da construção dos personagens. Mas são questões menores perante a qualidade da obra.
Estamos perante um autor que vais deixar a sua marca na literatura portuguesa neste início de século. Em breve irei começar a ler “ a máquina de fazer espanhóis” mas estou certo que a boa impressão será confirmada.
“o apocalipse dos trabalhadores”
walter hugo mãe
Alfaguara
2008
Pags. 199
ISBN 9789896720810
Subscrever:
Mensagens (Atom)




