segunda-feira, 15 de agosto de 2011
"o apocalipse dos trabalhadores", walter hugo mãe
domingo, 24 de julho de 2011
"New Model Army", Adam Roberts
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Tristano morre, Antonio Tabucchi
terça-feira, 12 de julho de 2011
"Surface Detail", Ian M. Banks
sábado, 9 de julho de 2011
Un Lun Dun
No expositor da livraria estavam dois livros de China Miéville que ainda não tinha lido: "King Rat" - o seu primeiro livro - e "Un Lun Dun". Por razões de que não recordo " Un Lun Dun" nunca me tinha despertado interesse mas foi este que comprei.
Nunca se deve comprar um livro quando se está cansado. Não lê-mos com atenção as capas e as contra-capas, as badanas e alguns excerptos. O grafismo no livro passa demasiado depressa pelos sentidos. Todavia comprei-o.Em casa, quando li a primeira página tive um choque: um livro para jovens! Mas já que o tinha na mão porque não começar a lê-lo. Percorridas as primeiras páginas já tinha sido sugado pelo remoinho da escrita fantástica de China Miéville.
Duas jovens raparigas londrinas vêem-se transportadas para uma reflexo de Londres, uma Un-Londres. Aí encontram autocarros de dois andares que voam e se transformam, com homens que têm uma cabeça que é uma gaiola de um pássaro, pontes que, como os arco-íris, não se sabe onde começam e acabam. São envolvidas numa luta contra o Smog que, derrotado na Londres que conhecemos, se dispõe a conquistar a Un-Londres. Alianças estabelecem-se e quebram-se; heróis em não heróis para serem substituídos por outros; entre os dois mundos cruzam-se espiões e desenvolvem-se traições ao mais alto nível nos dois mundos.
Miéville vive em Londres e é a Londres que está sempre presente nos seus romances mesmo naqueles passados em estranhos universos como é o caso do fabuloso "Perdido Street Station". Londres com os seus diferentes locais, pessoas e maneiras de falar. Londres como um universo bem mais complexo do que a mais publicitada Nova York.
"Un Lun Dun" arrastou-me para a memória dos livros fantásticos que lia enquanto jovem - A história de Dona Redonda e sua gente - e que ainda hoje recordo com saudade. "Un Lun Dun" é como se a escrita de Miéville tivesse sido reduzida á sua expressão mais simples, como se uma complexa equação nos aparecesse apenas na beleza do seu gráfico.
É um prazer de leitura para os jovens mas talvez ainda mais para os adultos que recordam as tardes passadas com as suas leituras de juventude. Como um bom livro para jovens as ilustrações que nele são incluídas são maravilhosas. Ainda bem que estava cansado naquele dia em que o comprei.
(China Miéville vive em Londres e é autor de "Perdido Street Station", "The City and the City", EmbassyTown", entre outros.)
sexta-feira, 8 de julho de 2011
The Snow, Adam Roberts
The Snow
Adam Roberts
Gollancz science fiction, 2004
Paperback
360 p.
Comprado através da Amazon.co.uk
Começa a nevar e os dias sucedem-se se que ela pare de cair. Toda a actividade humana vai paralisando até toda a Terra ficar coberta por mais de três quilómetros de espessura de neve. Desaparece toda a vida animal e vegetal. Talvez tenham sobrevivido 150 000 pessoas.
É pois para um cenário pós- apocalíptico de este romance deste autor inglês nos arrasta. Tina Bojani Sahai é uma das poucas sobreviventes. Londrina, separada, com uma filha, descendente de emigrantes indianos fugidos do regime de Apartheid da África do Sul. Vive soterrada por quilómetros de neve num escritório em Londres durante largos meses até salva por um grupo da nova organização ocidental que rabisca as cidades enterradas.
Tina vai enfrentar um mundo constituído por meia dúzia de cidades instaladas por cima do manto de neve. È um mundo militarizado, racista em que proliferam as teorias da conspiração acerca das causas do aparecimento da neve.
Adam Roberts foge aos caminhos clássicos das novelas pós-apocalípticas - guerra nuclear, aquecimento global, etc - para procurar novos trilhos. Arrasta-nos com habilidade para este mundo branco, estruturando o seu romance em estilos distintos. É através de relatórios escritos por Tina e censurados pelos militares que vamos acompanhando a vida naquele novo mundo. Os nomes dos intervenientes são substituídos por espaços em branco [Blank] o que provoca um enorme envolvimento do leitor na história. Pena é que uma escrita fluida e a interessante caracterização psicológica dos personagens seja ponteada por alguns clichés contemporâneos - o 11 Setembro, o terrorismo - pouco desenvolvidos.
Leitura agradável, com originalidade que, apesar dos seus altos e baixos, nos conduz com intensidade até um final imprevisível.
(Adam Roberts nasceu e vive em Londres. Ensina Literatura inglesa e Escrita Creativa e é autor de várias contos e romaces de ficcção cientifica, entre os quais se destacam "Salt", "Swiftly" e "New Model Army")





