segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Colóquio/Letras nº 178


Já está á venda a Colóquio/Letras nº 178, referente a Setembro/Dezembro 2011, edição da Fundação Caloute Gulbenkian.
O tema central da revista é a poesia de Ruy Belo. Vários ensaistas analisam várias facetas da obra do Poeta.
Deste número constam ainda análises sobre a escrita de Hélder Macedo, poemas de João Rui de Sousa e Luísa Freire e um crónica de Mário Claudio.
Encontramos ainda recensões críticas da "Antologia Poética" de Jorge Sena, "Desobediência" de Eduardo Pitta e  "Um Teatro às escuras" de Pedro Tamen, entre outras.
A revista é acompanhada de um interessante suplemento dedicado ao "Siglo de Oro - Relações hispano-portuguesas no século XVII".
Ilustram a revista reproduções de obras de Pedro Calapez.
Uma número para nos acompanhar neste fim de 2011.

sábado, 24 de setembro de 2011

"Nervo", de Diogo Vaz Pinto


É o fascínio pelo abismo que me leva a escolher entre dois livros de poesia aquele de cujo autor nunca ouvi falar?
Na prosa isto é menos intenso. Os media anunciam, comentam e criticam os autores da moda mas também aqueles desconhecidos que a razão económica das editoras, na sua febre constante pela novidade, empurra para as prateleiras.
No mundo minimalista, quase secreto e clandestino da edição de poesia, o fenómeno é diferente. De qualquer maneira, entre o poeta laureado ou credenciado, escolho sempre o desconhecido.
Foi um destes saltos para o abismo que dei quando comprei “Nervo”, de Diogo Vaz Pinto, numa edição Averno. E afinal não caí nem me esmaguei. Bem pelo contrário. Flutuei nas correntes termais da sua poesia.
Dele sabia apenas ser um jovem poeta ligado ao Núcleo Autónomo Calíope, da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa.
Começo pelo mais rápido e curto e dizer aquilo de que não gostei. Não gostei de um excesso de citações de autores a introduzir diversos poemas. Desviam a atenção para outros horizontes, criam a angústia do regresso á leitura desses autores, diminuem a concentração sobre o poema.
Diogo Vaz Pinto não é um poeta militante da análise das contradições da sociedade: “Contra o mundo, prefiro a poesia / descomprometida, arredada de inúteis militâncias…”. É um poeta das contradições do eu com o outro, em especial do outro mulher. Não é um poeta lírico parnasiano mas um poeta lírico do dia-a-dia que o eu percorre. Diria ser o poeta vagabundo da melancolia e da cidade.
A palavra do poema procura a luz e o prazer, os cheiros, procura e encontra a solidão e o tédio.
Percorre a cidade “Lisboa pela tarde tem este gosto / a delírio manso…” Da cidade para a habitação, para o intimo interior físico e para o íntimo do eu e das suas relações amorosas: “De costas olho-te e imagino-te / no aborrecimento dos anos com algum / romance nos joelhos…”. Não é a poesia do encontro, da relação e do contacto com a surpresa do oposto feminino. É a poesia da melancolia do depois.
E  assim surge a solidão e a introspecção do eu: “Deitei a tarde pela janela e fiquei só..”. E essa solidão, que olha para o presente e para o passado vivido, reforça-se na repetição rotineira dos actos diários: “Entro no supermercado, atravesso / sozinho os corredores enquanto penso / na glória obscena e acessível / deste nosso princípio de século”.
O olhar do poeta percorre as pequenas coisas do quotidiano: “Pouso a chávena no parapeito.”, “ guardei o recibo que não serve para nada” ou ainda “Na cozinha, o pequeno rádio, os frascos / com doce e os olhos com que vens / brincando em tons de mel”.
Estamos confrontados com um poeta que vai ser uma referência incontornável na nova poesia portuguesa, bem mais interessantes que encontrei recentemente.
São cento e vinte páginas que mostram já uma produção abundante e que anunciam novos espantos poéticos ao leitor das suas obras futuras.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Os que mais influenciam os hábitos de leitura no Reino Unido

No Guardian uma lista interactiva dos que mais influenciam os hábitos de leitura no Reino Unido:

http://www.guardian.co.uk/books/interactive/2011/sep/23/books-power-100-interactive


"Barroco Tropical" nomeado para o Prémio Courrier International


De José Eduardo Agualusa, "Barroco Tropical" é um dos romances nomeados para o Prémio Courrier International 2011. O livro vencedor será conhecido no próximo dia 20 de Outubro.
Este Prémio foi criado em 2008 para o melhor relato ou romance estrangeiro publicado  em França nos 12 meses anteriores.
O Júri, contituído por Catherine André, Iulia Badea-Guéritée, Marc-Olivier Bherer, Pascale Boyen, Lidwine Kervella, Isabelle Lauze (presidente do jurí) et Nathalie Pingaud, escolheu ainda as seguintes obras:

D’Acier, Silvia Avallone (Italie), Liana Levi, traduzido do italiano porFrançoise Brun ;
Little Big Bang, Benny Barbash (Israël), Zulma, traduzido do hebreu por Dominique Rotermund
La faim Mohamed El-Bisatie, (Egypte), Actes Sud, traduzido do árabe por Edwige Lambert
La part de l’homme, Kari Hotakainen (Finlande), JC Lattès,traduzido do finlandês por Anne Colin du Terrail
Des lanternes à leurs cornes attachées, Radhika Jha (Inde), Philippe Picquier, Traduzido do inglês (India) por Simone Manceau
Les Savants, Manu Joseph (Inde), Philippe Rey, Traduzido do inglês (India) por Bernard Turle
Aux frontières de l’Europe, Paolo Rumiz (Italie), Hoëbecke, traduzido do italiano por Béatrice ViernIlustrado, Miguel Syjuco (Philippines), Christian Bourgois, traduzido do italiano por Anne Rabinovitch

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

“La prospérité du vie – une introduction (inquiete) à l’économie”, Daniel Cohen


Devo reconhecer que o subtítulo o diz com clareza – “Introdução” – mas mesmo assim esperava mais deste “La prospérité du vie – une introduction (inquiete) à l’économie”, de Daniel Cohen. Talvez as expectativas fossem demasiado altas ou talvez por ter acabado de ler uma outra obra sobre o mesmo tema bem mais interessante, achei esta um pouco fraca.
O que ela procura mostrar é que um fantasma percorre o Ocidente. O fantasma do declínio do domínio do Ocidente e o receio do crescimento do Oriente e dos países emergentes. É um tema que tem sido analisado em inúmeras obras, cada uma das quais aponta diferentes perspectivas e soluções.
Daniel Cohen analisa, em traços gerais, o desenvolvimento económico da humanidade. Relembra alguns pontos centrais, por vezes muito esquecidos, de alguns períodos históricos: o pragmatismo social e não tecnológico dos Romanos e a sua sociedade composta de 35% de escravos em Itália, o crescimento do rendimento per capita que foi multiplicado por três entre o período medieval e o sec. XVIII ou o período sangrento entre os meados do sec. XVI e os meados do sec. XVII.
No decorrer da descrição da evolução do mundo Ocidental surgem as referências aos autores económicos que moldaram cada época: Adam Smith, Malthus, Schumpeter, Keynes, etc. Talvez pouco desenvolvidos para a importância que tiveram em cada época no desenvolvimento das análises económicas.
O desenvolvimento da China e a Índia é também abordado, de forma interessante, questionando as contradições que o seu desenvolvimento vai fazendo surgir. Uma questão que o autor coloca é a de saber se é possível aplicar o modelo económico ocidental, amplamente consumista, a uma população de 1,45 mil milhões de chineses (em 2030). Se viessem a ter o índice de 3  carros por cada 4 pessoas, como no Ocidente, a área dedicada e as infra-estruturas necessárias á acessibilidade e a estacionamento ultrapassaria a área actualmente atribuída á cultura do arroz.
O autor recorda também pontos significativos para as análises da actual crise, como o a utilização do crédito para compensar a queda dos salários reais apesar dos aumentos de produtividade; o preço baixo dos produtos de consumo, criando a “economia do desperdício” e a sua contradição com os limites geológicos do planeta. Salienta também a transformação feita pelos accionistas das empresas dos prémios de carreira em prémios indexados aos valores bolsistas, as consequências da “subcontratação” crescente e o aparecimento de veículos e artifícios que deram um crescimento descontrolado ao capital financeiro, financiando a crédito operações de alto rendimento sem mobilização de fundos próprios.
Publicado em 2009, o livro tem necessariamente de deixar de fora todo o desenvolvimento da crise de 2008 e as perspectivas para a analisar de forma detalhada.
É leitura interessante, uma voz preocupada com o nosso futuro e com outras questões que não as meramente económicas. Apesar da ausência de uma completa bibliografia, aponta durante os diversos capítulos, alguns autores que podem ser outras leituras interessantes.
Apesar das características simples da obra foi uma leitura enriquecedora.

Título: "La prospérité du vice-une introduction (inquiète) à l'économie"
Autor: Daniel Cohen
Editora: Le livre de poche
2009
Pag. 313
ISBN: 9782253159650